Resumo
A Febre Amarela (FA) era a principal endemia urbana do Brasil, no início do século passado. Com o desenvolvimento de vacina eficaz e a erradicação do mosquito Aedes aegypti (transmissor urbano da doença), sua transmissão ficou restrita a áreas silvestres, com uma redução drástica do número de casos registrados. A reintrodução do vetor urbano, verificada em meados do século passado, trouxe de volta o risco de reurbanização da doença, principalmente devido ao fato de moradores das cidades adentrarem a mata, onde existe o ciclo silvestre da doença, por motivos diversos (trabalho, lazer, estudo, etc...) sem vacinação prévia. No caso de serem contaminados por vetores silvestres da doença, estes podem, retornando para suas casas, contaminar os vetores urbanos, dando início a ciclos da doença nesse ambiente.
Epidemiologia
Doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada por vírus, do gênero Flavivirus, família Flaviviridae.
O quadro clínico caracteriza-se por início abrupto, com febre alta, cefaléia, calafrio, dor lombar, náuseas, vômitos, mialgia, prostração, congestão conjuntival, artralgia e fotofobia com duração, em torno, de 3 dias. Após esse período a doença pode evoluir para a cura ou agravamento do caso.
Nos últimos anos tem sido registrado aumento no número de casos em países vizinhos ao Brasil, como Peru e Bolívia. Em território brasileiro, anualmente ocorrem casos, principalmente nos estados da região amazônica. No estado de São Paulo, tem sido apontada mortalidade de macacos em áreas silvestres, fato normalmente associado à acentuação da transmissão silvestre da doença, o que aumenta o risco de exposição humana nessas regiões. Isso tem sido notificado especialmente na região oeste do estado.
No ano de 2008, foram notificados dois casos em municípios da região de Ribeirão Preto: São Carlos e Luiz Antônio. Ver informe neste boletim.
Modo de transmissão
A transmissão se dá pela picada de mosquito infectado pelo vírus. Dividimos a doença em duas formas de transmissão: urbana e silvestre.
Na forma urbana, o ciclo se dá pelo mosquito picando um homem infectado, tornando-se infectante e depois picando pessoas sadias e transmitindo a doença.
No ciclo silvestre da doença, há uma transmissão entre primatas não humanos e mosquitos silvestres. Quando o homem penetra nesse ambiente, pode ser picado e contrair a doença.
Período de incubação
No homem, período de incubação é o tempo que decorre desde a picada infectante e o aparecimento de sintomas podendo variar de 3 a 6 dias.
Período de transmissibilidade
O período em que o vírus está presente no sangue, é o período de transmissibilidade, também chamado período de viremia. Este período começa um pouco antes do aparecimento dos sintomas e vai até o 3° ou 4° dia da doença.
O ciclo extrínseco de incubação do vírus no Aedes aegypti é, em geral de 9 a 12 dias. Uma vez infectado, o Aedes aegypti assim permanecerá durante toda a vida.
Vacina
Existe vacina, que é aplicada gratuitamente em Unidades de Saúde, sendo indicada para pessoas que irão viajar para áreas endêmicas de FA Silvestre, ou populações sob o risco de transmissão da doença. É uma vacina viral atenuada. O vírus vacinal é cultivado em ovos embrionados de galinha.
A vacina confere imunidade a partir do 10° dia da vacinação e tem duração mínima comprovada de 10 anos.
Vetores
Nas zonas urbanas e em alguns aglomerados rurais a transmissão é pela picada do Aedes aegypti infectado e nas selvas da América do Sul, pela picada de mosquitos silvestres, tais como: Haemagogus janthinomys, Haemagogus albomaculatus, Haemagogus leucocelaenus e Sabethes chlopterus.
Agente Etiológico
O agente é um arbovírus, termo que designa organismos que são transmitidos por artrópodes, pertencente à família Flaviviridae, que reúne 68 espécies, das quais cerca de 30 causam doenças ao homem.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito através de isolamento viral ou através de métodos sorológicos para a detecção de anticorpos. O material a ser colhido para esses exames é amostra de sangue dos pacientes suspeitos.
Em casos de óbito deve ser realizado exame histopatológico do fígado, que demonstra alterações características.
Sintomas
O quadro clínico caracteriza-se por início abrupto, com febre alta, cefaléia, calafrio, dor lombar, náuseas, vômitos, mialgia, prostração, congestão conjuntival, artralgia e fotofobia com duração, em torno, de 3 dias. Após esse período a doença pode evoluir para a cura ou agravamento do caso. Nos quadros graves aparece novo acesso febril, icterícia progressiva, fenômenos hemorrágicos (epistaxe, hemorragias bucais e cutâneas, hematêmese e melena), hipotensão, bradicardia (dissociação pulso-temperatura - sinal de Faget), prostração acentuada, oligúria ou anúria. O comprometimento do sistema nervoso central manifesta-se em geral por delírio, convulsão e coma. Este quadro que caracteriza uma síndrome hepato-nefro-tóxica termina entre o 7° e 10° dia de doença. Dentre os casos graves notificados, a letalidade é superior a 40%.
Profilaxia
É feita exclusivamente pela vacinação de população susceptível com freqüência a área de risco.
Controle
Não existem mecanismos possíveis de controlar a doença nas matas, onde o vírus circula naturalmente. A única forma de prevenção eficaz é a vacinação.
Em área urbana, a forma de evitarmos a proliferação da doença é combatendo o vetor, principalmente evitando locais com acúmulo de água parada, como vasos e pratos para plantas, pneus, latas, garrafas, caixas de água destampadas, ralos, etc.