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Vetores e Doenças - Esquistossomose Mansônica

• Resumo
• Epidemiologia
• Vetores
• Agente Etiológico
• Diagóstico
• Sintomas
• Profilaxia
• Controle
• Fluxo de Notificação
• Mais Informações

Resumo

A doença, também popularmente conhecida como barriga d’água e doença do caramujo, é de transmissão indireta e causada por Schistosoma mansoni. A aquisição do verme se deve aos contatos com ambientes hídricos poluídos por fezes e colonizados por determinadas espécies dos caramujos de água doce.
O diagnóstico definitivo depende do encontro de ovos do parasito em exame de fezes. Clinicamente os sintomas são diversificados ou ausentes. A doença não exige isolamento do caso, mas a falta do tratamento induz o desenvolvimento de formas graves da doença na hipótese do contato sucessivo com os focos. As manifestações da doença dependem do número de vermes adquiridos e de ovos retidos nos tecidos.
O controle e profilaxia da esquistossomose exigem o diagnóstico e tratamento dos casos, a melhoria das condições do saneamento básico e dos conhecimentos da população sobre os riscos da infecção. Eventualmente, é necessária tentativa da interrupção temporária da transmissão com a aplicação de moluscicidas.
Em São Paulo, a notificação dos casos detectados é compulsória.

Epidemiologia

A aquisição da esquistossomose depende do contato com ambientes hídricos, durante atividades recreativas ou ocupacionais, tais como, pescarias, banhos, lavagem de utensílios domésticos, roupas e animais. O homem é o principal reservatório de Schistosoma mansoni. No Brasil existem casos e focos registrados nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Áreas endêmicas da esquistossomose mansônica no Brasil (Fonte: Amaral RS, Taiuil, Lima DD, Engels D 2006. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz 101 (Suppl. I): 79-85)

Biomphalaria glabrata é a espécie cuja relação parasita/hospedeiro é mais desenvolvida. A espécie é responsável pela manutenção de focos da endemia nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e, mais recentemente, no Rio Grande do Sul. Biomphalaria straminea, espécie difundida da região amazônica ao sul do país, preserva uma grande quantidade de focos existentes na zona do semi-árido nordestino (caatinga). Em São Paulo, Rio de Janeiro e no sul de Minas Gerais, a transmissão também conta com a participação de Biomphalaria tenagophila.
As áreas endêmicas em São Paulo abrangem municípios das regiões dos rios Paraíba do Sul, Ribeira de Iguape, do Alto Tietê, Médio Paranapanema e da zona litorânea. O município de Bebedouro possui um foco isolado da doença.

Vetores

No Brasil, as espécies dos caramujos que atuam como hospedeiros intermediários de S. mansoni são Biomphalaria glabrata, Biomphalaria tenagophila e Biomphalaria straminea. Pertencentes à família Planorbidae, essas espécies são hermafroditas, ovíparas, resistentes à dessecação e colonizam os mais variados tipos de ambientes hídricos dos tipos lênticos ou lóticos, como, açudes, lagos, lagoas, poços, alagados, brejos, rios, ribeirões, córregos, valas, etc. Quando presente em ambientes lóticos, os exemplares encontram-se preferencialmente em sítios remansosos, com vegetação marginal e/ou na presença de plantas aquáticas flutuantes ou emergentes. Esses caramujos sobrevivem em águas com amplas variações de pH, temperatura, turbidez, entre outros condicionantes ecológicos.
A grande capacidade de adaptação aos diversos tipos de clima garante a ampla distribuição das espécies transmissoras e a sobrevivência em ambientes muito poluídos por matéria orgânica resultante do lançamento de dejetos e esgotos domésticos, condição que promove o incremento dos riscos da transmissão da esquistossomose.

Agente Etiológico

Os parasitos do gênero Schistosoma são heteroxenos, ou seja, necessitam de dois hospedeiros, um intermediário e outro definitivo, para a evolução completa. O homem é a principal fonte de infecção da esquistossomose. O verme é esbranquiçado e possui sexos separados, com dimorfismo sexual evidente. Os machos, achatados tem 6,5 a 12 mm de comprimento, possuem um canal que comporta as fêmeas cilíndricas, com até 15 mm. Os ovos possuem casca transparente e espículo lateral. Por mecanismos ainda desconhecidos, os ovos migram até a luz intestinal contra a corrente sanguínea. A retenção de parte dos ovos nos tecidos desencadeia a formação de granulomas que são as alterações dos tecidos responsáveis pelo desenvolvimento doença. As fêmeas produzem de 100 a 300 ovos por dia, ou mais.
Em condições ótimas, o ciclo completo do parasito acontece em aproximadamente 40 dias, da infecção dos caramujos até a eliminação de ovos nas fezes.

Representação esquemática do ciclo biológico de Schistosoma Fonte: modificado de CDC/Atlanta/USA

Biomphalaria glabrata é a espécie cuja relação parasita/hospedeiro é mais desenvolvida. A espécie é responsável pela manutenção de focos da endemia nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e, mais recentemente, no Rio Grande do Sul. Biomphalaria straminea, espécie difundida da região amazônica ao sul do país, preserva uma grande quantidade de focos existentes na zona do semi-árido nordestino (caatinga). Em São Paulo, Rio de Janeiro e no sul de Minas Gerais, a transmissão também conta com a participação de Biomphalaria tenagophila.

Diagnóstico

° Clínico

A sintomatologia e as características de patogenicidade são os principais indicadores do diagnóstico clínico da esquistossomose, pois os diferentes sítios de localização e desenvolvimento dos granulomas promovem alterações patológicas em órgãos distintos do sistema excretor ou digestivo.
Afora a clínica, o diagnóstico diferencial demanda a observação do formato, do tamanho e do posicionamento do espículo dos ovos de Schistosoma. Embora existentes, os detalhes da morfologia dos vermes adultos não são suficientemente conspícuos para a identificação precisa das espécies pertencentes ao gênero.

° Laboratorial

O diagnóstico de certeza depende da observação dos ovos nas fezes ou tecidos. Existem diversas técnicas sorológicas que indicam as infecções. O diagnóstico por meio de técnicas de ultra-som e imagem serve à detecção das conseqüências patológicas da doença.
A realização dos exames em amostras repetidas de fezes é aconselhável, tanto para a descoberta da infecção, como para a confirmação de tratamento, cuja eficiência depende da observação da inexistência ou inviabilidade dos miracídios nos ovos. Nos casos em que os ovos permanecerem viáveis recomenda-se novo tratamento.
As técnicas de diagnóstico em amostras de fezes disponíveis são as de Lutz (mais conhecida como “método de Hoffman, Pons e Janer”), da eclosão de miracídios, que além da visualização, permite a observação da viabilidade, de Bell, Stoll, Simões Barbosa e o “método de Kato-Katz”, elaborado originalmente por Kato & Miura e modificado por Katz, Chaves & Peregrino, que permitem a estimativa da intensidade das infecções medidas em ovos por grama de fezes (opg). A biópsia retal e hepática permite a detecção de ovos nos tecidos.
Os limites da eficácia das técnicas de diagnóstico coprológico dependem dos níveis de prevalência das áreas endêmicas de origem dos pacientes, do tempo da infecção e da quantidade de parasitos albergados no organismo. A eficácia também depende da regularidade das posturas de ovos e da possibilidade de infecções unissexuadas.
A intradermorreação, a fixação do complemento (ou de Fairley), a reação cercariana de Vogel-Minning, as reações de imunofluorescência, hemalutinação e floculação (ou precipitação) periovular destinam-se ao diagnóstico presuntivo.

Sintomas

Os sintomas mais freqüentes da fase aguda da esquistossomose mansônica são náuseas, vômitos, diarréia, febre, dor de cabeça, sudorese, astenia, anorexia e emagrecimento. Também são comuns as manifestações de tosse e disenteria acompanhada de incômodo, distensão ou dores no abdômen, de hipersensibilidade, como a urticária, prurido, edema da face, placas eritematosas ou lesões purpúricas. Excepcionalmente, na fase aguda acontecem quadros mais graves de icterícia ou abdômen agudo (fase aguda toxêmica).
Na fase crônica, a clínica é com ou sem hipertensão portal. O quadro clínico varia desde a ausência de alterações dinâmicas acentuadas a formas severas panviscerais com hipertensão porta, síndrome cianótica, glomerulopatias e pseudoneoplsias. A evolução crônica da esquistossomose resulta em ascite, edema e insuficiência hepática severa com desfecho em óbito porque a fibrose e a cirrose em torno do granuloma são irreversíveis.
Existem relatos manifestações eventuais graves de infecções ectópicas do sistema nervoso (neuroesquistossomose ou miolorradiculopatia esquistossomótica). Essa situação depende da migração errática dos ovos de S. mansoni resultando, entre outras seqüelas, no aparecimento de paralisias faciais.
Em São Paulo as manifestações clínicas da esquistossomose são discretas. A maioria dos casos detectados é assintomática e, mais eventualmente, os casos são oligossintomáticos ou agudos.
Nas formas clássicas, as manifestações gerais surgem, quase sempre, quando os vermes alcançam a maturidade, ou seja, 4 a 6 semanas após a infecção.
A suscetibilidade é universal, independente da idade, cor ou sexo e a aquisição de resistência é uma questão ainda não comprovada cientificamente.

Profilaxia

° Tratamento

As drogas recomendadas são a oxamniquine e o praziquantel. A administração se dá em dose única e proporcional ao peso da pessoa. No caso do praziquantel a recomendação é de 50 mg/kg para adultos e 60 mg/kg para indivíduos até 15 anos; a dosagem da oxamniquine é de 15 mg/kg para adultos e 20 mg/kg até a idade de 15 anos. Os efeitos colaterais mais freqüentes das duas drogas são tonturas, náuseas, e vômitos. Preferencialmente o tratamento é ambulatorial, com a pessoa alimentada, e para a observação de efeitos colaterais no período de pelo menos 1 hora. A administração das drogas é contra-indicada durante a gestação e amamentação, em crianças menores de 2 anos, em pacientes desnutridos ou anêmicos, na presença de infecções agudas ou crônicas intercorrentes, insuficiênci a cardíaca, hepática ou renal grave, hipersensibilidade e doenças do colágeno ou mentais (com uso de anticonvulsivantes ou neurolépticos) e epilepsia (convulsão).

° Controle

Como não existem vacinas eficientes contra a esquistossomose, o controle da endemia pressupõe o diagnóstico, o tratamento, o saneamento ambiental e a educação.

Controle

O principal instrumento do controle é o tratamento para a redução das chances de desenvolvimento da doença e da eliminação de ovos do parasito no ambiente e posterior contaminação das coleções hídricas. Consequentemente, o diagnóstico e tratamento dos casos também diminuem as oportunidades de infecção dos caramujos hospedeiros intermediários.A construção de fossas, drenagem, limpeza e canalização de valas córregos, lagoas, alagadiços, etc. Essas medidas visam a redução dos níveis de contaminação das coleções hídricas pelos ovos do parasito.
Como medida profilática complementar, é possível a aplicação de produtos químicos nos ambientes hídricos. Essas substâncias moluscicidas são deletérias aos caramujos, cercárias e miracídios. Por causa dos efeitos nocivos sobre outras espécies, as aplicações demandam a avaliação criteriosa da situação.
A promoção do conhecimento da população sobre o problema também é uma medida profilática útil.

Fluxo de Notificação

Mais Informações
Informações: Distribuição e Gráficos
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Outras Doenças

Informações Gerais

Malária

Febre Amarela

Dengue

Doença de Chagas

Febre Maculosa

Leishmaniose Tegumentar Americana

Leishmaniose Visceral Americana


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