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Vetores e Doenças - Doença de Chagas
• Resumo
• Epidemiologia
• Vetores
• Agente Etiológico
• Diagóstico
• Sintomas
• Profilaxia
• Controle
• Fluxo de Notificação
• Mais Informações
Resumo
O controle da transmissão da Doença de Chagas ao homem, desde o seu início deu ênfase ao mecanismo vetorial, a via responsável por mais de 80% dos casos reportados nos países da América Latina, incluindo o Brasil, tendo o Triatoma infestans como o principal vetor. No Estado de São Paulo, a campanha contra esse transmissor teve início em meados do século passado e alcançou êxito cerca de vinte anos depois. No entanto, as atividades de controle não terminaram. Justifica-se o seu prosseguimento pela presença, nos domicílios, de espécies secundárias na transmissão do Trypanosoma cruzi, principalmente Triatoma sordida e Panstrongylus megistus e pela invasão de domicílios por outras espécies de triatomíneos, destacando-se: Rhodnius neglectus, no planalto e Triatoma tibiamaculata na região litorânea. As ações de vigilância dos vetores ainda presentes no Estado são desencadeadas a partir de notificações de insetos, originadas pela população. A população residente em domicílios com presença de triatomíneos infectados por Trypanosoma cruzi tem sido examinada, , sem evidências de transmissão. Com a transmissão via vetorial controlada e a probabilidade de transmissão da Doença de Chagas pela via transfusional ser remota devido à introdução da sorologia na rotina da rede hemoterápica, a detecção da forma aguda da doença deve tornar-se cada vez mais rara, restrita a mecanismos outros de transmissão. Uma vez que o agente etiológico, protozoário flagelado, possui como reservatórios, além do homem, mamíferos silvestres e domiciliados que coabitam ou estão próximos do mesmo, em condições sócio-epidemiológicas que permitem a infecção humana, acidentes poderão ocorrer com manuseio de animais silvestres, ou mesmo ingestão de carne mal cozida destes animais, fato já constatado em São Paulo.
Nesse novo contexto é esperado que as estratégias de vigilância epidemiológica que se impõem, mantenham resguardados os excelentes resultados até então alcançados, devendo, ainda, ser implementadas ações que busquem orientar as pessoas para que efetuem adequadas modificações do ambiente peridomiciliar com vistas a dificultar o estabelecimento de colônias de triatomíneos, reduzindo o risco de ocorrência de Doença de Chagas humana.
Epidemiologia
A Doença de Chagas é assim denominada em homenagem ao seu descobridor, o médico brasileiro Dr. Carlos Justiniano Ribeiro das Chagas. Foi descoberta em 1909, quando Carlos Chagas realizava uma campanha contra a malária que atingia operários que trabalhavam na construção de um trecho da Estrada de Ferro Central do Brasil, na região norte do Estado de Minas Gerais. Carlos Chagas, descreveu o agente etiológico, o transmissor e o modo de transmissão da doença. É uma doença transmissível, causado por um parasito do gênero Trypanosoma e transmitida principalmente através do "barbeiro", conhecido também por: chupança, chupão, fincão, bicudo, procotó.
A ocorrência da Doença de Chagas em certa região depende de três elementos: agente etiológico, vetor ou vetores adequados e indivíduos susceptíveis. Primitivamente considerada uma enzootia, isto é, uma doença exclusivamente de animais silvestres, tornou-se uma zoonose típica, em conseqüência da grande suscetibilidade do homem e certos animais domésticos, como o cão e o gato. O parasitismo humano se instalou devido à proliferação de certas espécies de triatomíneos nos ecótopos artificiais, passando o ciclo domiciliar e peridomiciliar da infecção a assumir extraordinária importância. Animais vertebrados silvestres como marsupiais e roedores, devido às mudanças do meio ambiente, também se aproximaram das moradias e se adaptaram aos ecótopos artificiais. Dessa maneira, os triatomíneos e os reservatórios coabitam estes locais e passam o agente etiológico para o homem. As drogas hoje disponíveis, são eficazes, apenas na fase inicial da enfermidade, daí a importância da descoberta precoce da doença. Ainda, não se dispõe de vacina para uso imediato.
Modo de transmissão
O "barbeiro", em qualquer estágio do seu ciclo de vida, ao picar uma pessoa ou animal com tripanossomo, suga juntamente com o sangue formas de T.cruzi, tornando-se um "barbeiro" infectado. Os tripanossomos se multiplicam no intestino do "barbeiro", sendo eliminados através das fezes. A transmissão se dá pelas fezes que o "barbeiro"deposita sobre a pele da pessoa, enquanto suga o sangue. Geralmente, a picada provoca coceira e o ato de coçar facilita a penetração do tripanossomo pelo local da picada. O T.cruzi contido nas fezes do "barbeiro" pode penetrar no organismo humano, também pela mucosa dos olhos, nariz e boca ou através de feridas ou cortes recentes existentes na pele. Podemos ter ainda, outros mecanismos de transmissão através de: transfusão de sangue, caso o doador seja portador da doença; transmissão congênita da mãe chagásica, para o filho via placenta; manipulação de caça (ingestão de carne contaminada) e acidentalmente em laboratórios.
Período de incubação
Oscila entre 4 e 10 dias, quando a transmissão é pelos triatomíneos, sendo geralmente assintomáticos. Nos casos de transmissão transfusional, pode alongar-se entre 20 ou mais dias.
Vetores
O "barbeiro", é um inseto artrópode da classe Insecta, ordem Hemiptera, família Reduviidae e subfamília Triatominae que se alimenta exclusivamente de vertebrados homeotérmicos, sendo chamados hematófagos. A principal espécie propagadora da Doença de Chagas no Estado de São Paulo, foi o Triatoma infestans, hoje eliminado do nosso meio. Persistem ainda as espécies de menor importância como Panstrongylus megistus e o Triatoma sordida amplamente distribuídos. Geralmente, abrigam-se em local muito próximo à fonte de alimento e podem ser encontrados na mata, escondidos em ninhos de pássaros, toca de animais, casca de tronco de árvore, montes de lenha e embaixo de pedras. Vivem em média entre um a dois anos, com evolução de ovo, ninfa e adulto. Apresentam grande capacidade de reprodução e, dependendo da espécie, intensa resistência ao jejum.
Ciclo evolutivo
Ovo : A fêmea copula uma só vez e transcorridos cerca de 20 a 30 dias começa a postura. Cada fêmea ovipõe cerca de 200 ovos. A eclosão dos ovos, varia conforme a temperatura ambiente e a espécie, ocorrendo em média um período de 25 dias. Logo após a postura, os ovos são brancos, porém em contato com o ar vão amarelando e depois de 6 a 7 dias tornam-se róseos na medida em que se aproxima o momento da eclosão.
Ninfas : Dos ovos eclodidos, nascem às ninfas. Procuram alimento de 2 ou 3 dias depois de nascidos e após sua primeira refeição a ninfa sofrerá mudanças em seu corpo, com a perda de sua pele. O "barbeiro" passa ao todo por 5 mudas até atingir o estádio adulto.
Adultos : Um adulto vive alguns meses, podendo alcançar um ano ou mais. As fêmeas efetuam a primeira postura com cerca de 2 meses. Após a postura, tendem a migrar e formar novas colônias. O ciclo de vida dura em média de 1 a 2 anos.
Agente Etiológico
É um protozoário da ordem Kinetoplastida da família Trypanosomatidae e gênero Trypanosoma denominado Trypanosoma cruzi. No homem e nos animais, vive no sangue periférico e nas fibras musculares, especialmente as cardíacas e digestivas: no inseto transmissor, vive no tubo digestivo.
Diagnóstico
O diagnóstico, compreende o exame clínico e laboratorial (pesquisa do parasito no sangue), na fase aguda e exame clínico, sorológico, eletrocardiograma e raio X, na fase crônica. Nos dois casos, deve-se levar em consideração a investigação epidemiológica.
Sintomas
Os sinais iniciais da doença se produzem no próprio local, onde se deu a contaminação pelas fezes do inseto. Estes sinais, surgem mais ou menos de 4 a 6 dias, após o contato do "barbeiro "com a sua vítima. Os sintomas variam de acordo com a fase da doença, que pode ser classificada em aguda e crônica.
Fase aguda: Febre, mal estar, falta de apetite, edemas localizados na pálpebra (sinal de Romanã) ou em outras partes do corpo (chagoma de inoculação), enfartamento de gânglios, aumento do baço e do fígado e distúrbios cardíacos. Em crianças, o quadro pode se agravar e levar à morte. Frequentemente, nesta fase, não há qualquer manifestação clínica da doença, podendo passar desapercebida.
Fase crônica: Nesta fase, muitos pacientes podem passar um longo período, ou mesmo toda a sua vida, sem apresentar nenhuma manifestação da doença, embora sejam portadores do T.cruzi . Em outros casos, a doença prossegue ativamente, passada a fase inicial, podendo comprometer muitos setores do organismo, salientando-se o coração e o aparelho digestivo.
Profilaxia
Baseiam-se principalmente em medidas de controle ao "barbeiro", impedindo a sua proliferação nas moradias e em seus arredores. Além de medidas específicas (inquéritos sorológicos , entomológicos e desinsetização), as atividades de educação em saúde, devem estar inseridas em todas as ações de controle, bem como, as medidas a serem tomadas pela população local, tais como:
- melhorar habitação, através de reboco e tamponamento de rachaduras e frestas;
- usar telas em portas e janelas;
- impedir a permanência de animais , como cão, o gato, macaco e outros no interior da casa;
- evitar montes de lenhas, telhas ou outros entulhos no interior e arredores da casa;
- construir galinheiro, paiol, tulha, chiqueiro , depósito afastado das casas e mantê-los limpos;
- retirar ninhos de pássaros dos beirais das casas;
- manter limpeza periódica nas casas e em seus arredores;
- difundir junto aos amigos, parentes , vizinhos, os conhecimentos básicos sobre a doença, vetor e sobre as medidas preventivas;
- encaminhar os insetos suspeitos de serem "barbeiros", para o serviço de saúde mais próximo.
Controle
No Estado de São Paulo, o controle de triatomíneos está inserido na metodologia de vigilância entomológica da Doença de Chagas que tem por objetivo manter a interrupção da transmissão vetorial da Doença de Chagas no Estado de São Paulo.
Para tanto identifica e combate colônias domiciliares de triatomíneos; investiga as manifestações humanas decorrentes da presença do Triatoma infestans e de colônias de outras espécies de triatomíneos associadas à infecção por Trypanosoma cruzi no ambiente intradomiciliar. Exemplares suspeitos de serem triatomíneos são encaminhados à SUCEN que os identifica e examina com vistas à infecção por T.cruzi e a fonte alimentar utilizada. Quando do encontro de colônias intradomiciliares com indivíduos infectados em casas que notificaram insetos, quando da pesquisa realizada pela SUCEN, é realizado o exame sorológico da população residente nessas unidades domiciliares com investigação epidemiológica familiar em domicílios com detecção de indivíduos soropositivos com especial atenção àqueles nascidos no Estado de São Paulo e com idades iguais ou inferiores a 30 anos. Nos imóveis com presença de triatomíneos é realizado o controle químico com borrifação utilizando-se inseticidas da classe dos piretróides. O componente educativo tem peso importante para a sustentabilidade da vigilância entomológica da Doença de Chagas no Estado de São Paulo e tem como objetivo propiciar a participação de moradores de áreas rurais. Para tanto considera a estratégia de reorganização da atenção básica à saúde através da implantação do Programa de Agente Comunitário da Saúde (PACS) e Programa de Saúde da Família (PSF) e a inclusão nas disciplinas Meio Ambiente e Saúde dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que estão em vigor na rede de ensino do estado de São Paulo, dando enfoque as ações de manejo ambiental que impeçam a domiciliação de triatomíneos.
Fluxo de Notificação
Mais Informações
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Informações Gerais
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